Nós, homens, ao lermos textos como o apresentado acima, falando de "pudor", "olhares", "delicadeza", logo pensamos em uma mulher. Isso porquê nosso instinto observador logo nos prega uma peça fazendo-nos crer que aquele ser a quem se observa, a saber, a mulher, é quem unicamente tem o dever de portar-se com tal recato para que nós, então, livres de qualquer regra no que diz respeito à modéstia, possamos evitar uma reação mais maliciosa. Porém, isso não é verdade.
Por muitos anos eu fui um católico que, para ir à Igreja, se vestia como tantos outros católicos "comuns": uma camisa qualquer (desde que não contivesse mensagens ou figuras inapropriadas), uma calça qualquer, um calçado qualquer. E, para mim, estava tudo certo. "Estou com meu corpo devidamente vestido e pode até ser que sirva de exemplo", pensava. Mas na verdade, eu estava apenas fazendo o básico para não escandalizar. Eu podia fazer mais! E foi justamente isso que um padre amigo meu me fez enxergar. Num dia, enquanto passeávamos, ele começou a explicar a importância e beleza que havia no fato de um homem vestir-se de forma diferente para ir à Igreja, sobretudo quando se trata de ir na Santa Missa. Dizia que, originalmente, o costume de vestir-se bem para a participação no culto sagrado era um costume católico, que infelizmente foi se perdendo com o avanço do "pensamento moderno" e a acomodação por parte de alguns (ou muitos) católicos. Em meio a muitos detalhes e argumentos na conversa, basicamente o que me chamou atenção foi o fato de que "os homens deveriam vestir-se de modo especial para ir à Missa justamente para mostrar que aquele acontecimento no qual iriam participar está acima de qualquer fato, ocasião e acontecimento do cotidiano. É um momento único!"
Realmente é a pura verdade! Se nos preparamos tanto para irmos a uma lanchonete com os amigos, para ir a um aniversário, a um casamento, quanto não devemos estar bem apresentáveis para participarmos da Santa Missa?! A partir de então, comecei a ir à Missa vestido como merece a ocasião.
Como dizia Santo Agostinho: "À graça pressupõe a natureza", e foi exatamente isso que aconteceu. A partir da minha nova atitude, da minha nova postura, a graça do Espírito Santo veio ao meu encontro, dando-me a conhecer e perceber coisas que antes eu, no meu "fazer o básico", ignorava. Comecei a me dar conta do quanto cada detalhe contribui para que minha oração, minha comunhão com Deus flua. Hoje posso dizer com toda alegria do meu coração de cristão: Quando me arrumo para ir à Santa Missa, é para Ele que me arrumo. A camisa social, o sapato, o perfume, tudo! Tudo para ir ao encontro do Amado, pois amando-o também nos detalhes, tenho a graça de perceber os detalhes do Seu amor por mim e assim conhecê-lo cada vez mais. Beleza tão antiga e tão nova!
Para que aquele jeito de vestir se tornasse um hábito foi questão de tempo.
Para minha surpresa, fiz experiências espirituais e, por conseguinte, adquiri graças e virtudes que eu nunca imaginara estar ligado a algo tão simples como o pudor e a modéstia. Lembro que a percepção de que meu espírito e minha oração estavam diferentes não demorou muito a aparecer. Passei a me sentir (e de fato estava) adequado àquele acontecimento tão importante do qual antes eu não pude olhar com mais zelo devido a falta de atenção a grandiosidade do que ali se passava. Me sentindo adequado ao ambiente, ao contexto, eu tinha mais vontade de permanecer na Igreja, chegar um tempo antes e ficar um pouco mais depois, contemplando em espírito, a singularidade daquele momento em que estava ali.

Caio C. Pereira
(Osasco/SP)
Gostei imenso do texto, obrigado ,
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